
Em poucas palavras: A amizade aprende-se — a partilhar, a ter ciúmes e a perdoar, a abrir lugar para mais um. Para os mais pequenos, o Um dois três fala do ciúme quando chega um terceiro; a partir dos 3 anos, Lea e o Elefante mostra que só o afeto verdadeiro nos faz voar, e O caminho da montanha que a amizade também é ajudar quem vem atrás.
Fazer amigos é uma das primeiras grandes aventuras de uma criança e, como todas as aventuras, tem alegrias e tropeções: a partilha que custa, o ciúme quando aparece mais alguém, a mão que se estende no momento certo. Aprender a ser amigo é aprender a sair de si e a abrir lugar ao outro — talvez a mais bonita e a mais difícil das aprendizagens da infância.
Na Baduga gostamos de histórias que ensinam isto sem dar lições. Reunimos três dos nossos livros sobre os laços que unem as crianças umas às outras.
Porque é que os livros ajudam a fazer amigos
Muito antes de ter amigos a sério, a criança ensaia a amizade nas histórias. Ao acompanhar uma personagem que sente ciúmes, que aprende a partilhar ou que ajuda alguém em apuros, experimenta essas emoções num sítio seguro — e leva-as depois para o recreio. O livro dá-lhe as palavras e os exemplos; a vida encarrega-se do resto.
Há ainda um acréscimo que não se vê no momento: ler sobre a amizade abre conversas. “Achas que ele fez bem?”, “O que farias no lugar dela?” — perguntas simples, com as quais a criança vai construindo a sua própria bússola.
Os nossos livros sobre a amizade

Brincar a dois é fácil; a três, nem sempre. Sobre o ciúme e o alívio de descobrir que a amizade se multiplica quando se reparte.
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Uma casa cheia de coisas bonitas que não fazem ninguém feliz, até chegar um elefante. Só o afeto verdadeiro nos faz voar.
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A Senhora Texugo sobe a montanha e guia quem vem atrás. A amizade como generosidade, por Marianne Dubuc.
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Um dois três — o ciúme e a partilha (0–7 anos)
Brincar a dois é fácil; a três, quase nunca. Quando um novo amigo se junta à dupla, chega também o ciúme e o medo de perder o lugar que se julgava garantido. Com o lápis de cor delicado de Paolo Proietti, a história mostra que abrir espaço a mais alguém não tira nada a ninguém — e que a amizade, ao contrário dos brinquedos, cresce quando se reparte.
Para conversar depois: “Já sentiste ciúmes de um amigo? O que ajudou a passar?”
Lea e o Elefante — a amizade verdadeira (3–7 anos)
A Lea vive rodeada de objetos de todos os feitios e está sempre aborrecida — até fazer amizade com um elefante. Numa atmosfera onírica, desenhada por Kim Sena, a história lembra que as coisas se partem e se gastam, enquanto um laço de afeto não conhece esse desgaste. Só a amizade verdadeira, afinal, nos põe a voar.
Para conversar depois: “O que é que um amigo tem que um brinquedo nunca poderá ter?”
O caminho da montanha — a amizade que ajuda (3–10 anos)
A Senhora Texugo sobe a montanha, encontra amigos e junta tesouros pelo caminho, até levar a pequena Lulu ao cimo. É uma história sobre a amizade como generosidade: a alegria de ajudar quem vem atrás e de repartir aquilo que a vida já deu.
Para conversar depois: “Quem é que já te ajudou a chegar mais longe? E tu, a quem podes ajudar?”
Como acompanhar o ciúme e a amizade
- Dê nome ao ciúme. Dizer “é normal sentires isso” tira o peso da culpa e abre caminho à conversa.
- Mostre que o afeto não se divide. Abrir lugar a um amigo — ou a um irmão — não retira o lugar de ninguém.
- Repare nos gestos pequenos de partilha. São esses, e não os sermões, que fazem o hábito crescer.
- Leia e converse. Uma história sobre amizade lida hoje é vocabulário emocional guardado para o próximo tropeço no recreio.
Perguntas frequentes
A partir de que idade é que as crianças fazem amigos a sério?
Por volta dos 3 anos aparecem as primeiras preferências, e entre os 4 e os 6 nascem as amizades com nome próprio. Antes disso brinca-se lado a lado mais do que em conjunto — o que também é uma forma de companhia.
O meu filho tem ciúmes do melhor amigo. É preocupante?
Não. O ciúme é a medida de quanto aquela amizade importa. O que ajuda é dar-lhe nome, e não apressar a criança a deixar de o sentir.
Como ajudar uma criança tímida a fazer amigos?
Com encontros pequenos e previsíveis, de preferência a dois, e sem a obrigar a cumprimentar toda a gente. Ler histórias de amizade ajuda-a a ensaiar o que ainda lhe custa fazer.
Leia também
ler. sentir. crescer. sonhar.
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