Livros sem palavras: o poder da imagem

Um cão pequeno debaixo de uma árvore e uma menina sentada ao longe, ao pôr do sol
Ilustração de Guojing, do álbum Faísca.

Há livros que não têm uma única palavra e contam, mesmo assim, histórias inteiras. Chamam-se livros sem palavras — ou silent books — e são dos mais generosos que existem: como não dependem da leitura, servem qualquer criança, de qualquer idade e de qualquer língua.

Acreditamos que as ilustrações são um dos primeiros contactos da criança com a arte. No livro sem palavras, essa arte não acompanha a história: é a história. E é a criança, ao apontar e ao inventar, quem a conta.

O nosso livro sem palavras

No catálogo da Baduga há um, e é mesmo um livro mudo do princípio ao fim.

Capa do livro Faísca

Faísca

Um cão perdido debaixo de um banco de jardim, uma menina que repara nele, e uma amizade que se constrói sem que ninguém diga uma palavra.

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O Faísca conta a história de um cãozito assustado que faz do banco de um parque o seu abrigo, e da menina que, dia após dia, se aproxima. Tudo acontece nas imagens: a distância que encolhe, a desconfiança que cede, a chuva, a espera. É o livro perfeito para dar a uma criança e deixá-la a contar — porque, sem texto, ninguém lhe pode dizer que está a ler mal.

Porque é que os livros sem palavras são tão valiosos

Dão à criança o papel de narradora, e é isso que lhe desenvolve a linguagem, a imaginação e a confiança. Servem quem ainda não lê e servem quem lê noutra língua — numa sala com crianças de várias origens, um livro mudo é o único que toda a gente pode contar.

E há um efeito menos falado: obrigam o adulto a calar-se. Numa leitura em voz alta é sempre o adulto que conduz; aqui, o livro passa-lhe o lugar para a mão.

Livros nossos onde a imagem faz quase tudo

Estes têm texto — pouco —, mas a história vive sobretudo naquilo que se vê. Funcionam bem para o mesmo exercício: tapar as palavras com a mão e deixar a criança contar.

Capa do livro Em Frente à minha casa

Em Frente à minha casa

Marianne Dubuc constrói uma viagem inteira, de casa às montanhas e de volta, pela pura sequência das imagens.

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Capa do livro Algures na neve

Algures na neve

Linde Faas conhece dezenas de maneiras de pintar a neve, e é isso que segura o livro.

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Capa do livro Ilha

Ilha

Grande parte da história vive naquilo que a imagem revela e o texto cala.

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Perguntas frequentes

Como se lê um livro sem palavras a uma criança?

Não se lê — conta-se em conjunto. Deixe a criança apontar e inventar, e faça perguntas: “o que achas que vai acontecer?”. A história é dela.

Os livros sem palavras são só para quem ainda não lê?

Não. Funcionam em qualquer idade, e as crianças mais velhas surpreendem-se com a quantidade de pormenor que descobrem quando não há texto a distraí-las.

Quantos livros sem palavras tem a Baduga?

Um: o Faísca. Há outros em que a ilustração faz quase todo o trabalho, mas mudo, mudo, é só este.

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