
Em poucas palavras: Kazuo Iwamura (Tóquio, 1939 — 2024) é o autor e ilustrador japonês que criou a Família 14, a série sobre catorze ratinhos que vivem numa árvore. Publicou os primeiros títulos em 1983, depois de se mudar para o campo, e desenhou-os em aguarela com um detalhe que se lê tão devagar como o texto. Em Portugal, a série é publicada pela Baduga.
Se procurou “kazuo iwamura” ou “família 14”, está a chegar a um dos autores de livros infantis mais queridos do Japão — e a uma série que atravessou quatro décadas sem envelhecer um dia.
Quem foi Kazuo Iwamura
Nasceu em Tóquio em 1939 e formou-se no Departamento de Artes e Ofícios da Universidade das Artes de Tóquio. Em 1975 fez a escolha que explica toda a obra que veio depois: deixou a cidade e mudou-se para uma zona arborizada em Mashiko, na província de Tochigi. Passou a viver dentro da paisagem que já desenhava.
Foi de lá que saiu, em 1983, a Família 14 — lançada de uma só vez com dois títulos, um sobre a mudança para a casa nova e outro sobre o pequeno-almoço da família. A série tornou-se um clássico permanente no Japão e foi traduzida em vários países da Europa e da Ásia.
O reconhecimento acompanhou-a: Iwamura recebeu o Prémio Ehon Nippon pelo volume do pequeno-almoço e o Prémio de Ilustração Shogakukan por outro título da série. Em 1998 abriu um museu dedicado ao seu trabalho, o Museu do Livro Ilustrado Kazuo Iwamura, na mesma região onde vivia.
Morreu a 19 de dezembro de 2024, aos 85 anos. Deixou uma obra que continua a ser lida todas as noites, em muitas línguas, por crianças que não fazem ideia de quem ele era — que é, provavelmente, o melhor destino possível para um autor de livros infantis.
O traço: porque é que estes livros se leem devagar
Iwamura ilustrava em aguarela, com um nível de detalhe que transforma cada página numa cena para procurar. Os catorze ratinhos não são catorze cópias do mesmo desenho: cada um tem gestos, roupa e feitio próprios, e a criança que lê descobre depressa qual é o seu preferido — e passa o livro inteiro a segui-lo de página em página.
A floresta muda com as estações e não é cenário: é personagem. Há a luz de verão a atravessar as folhas, a lama do outono, a neve que obriga toda a gente a ficar em casa. Quem viveu no campo reconhece; quem não viveu, aprende.
E há o que Iwamura escolheu não pôr lá. Não há vilões, não há sustos, não há lição moral no fim. O que acontece é a vida de uma família a acontecer — e isso, para uma criança pequena, é suficientemente interessante.
A Família 14 em Portugal
Por onde começar
Por Família 14, sempre. É o livro que faz as apresentações — o avô, a avó, o pai, a mãe e os dez irmãos — e sem ele os outros perdem metade da graça, porque a graça está em reconhecer quem é quem. Depois de conhecidos, qualquer volume funciona por si.
A que idade se lê
A partir dos 3 anos para ouvir em voz alta, e até aos 8 ou 9 para ler sozinho. Como as ilustrações contam metade da história, as crianças mais novas “leem” as imagens enquanto ouvem — e é por isso que a série aguenta ser relida durante anos sem cansar: em cada idade vê-se outra coisa.
Porque é que estes livros duram
Porque falam de uma família alargada a viver junta, com avós à mesa e irmãos a estorvar-se uns aos outros — uma realidade que muitas crianças já não têm em casa e que reconhecem, ainda assim, como desejável. E porque premeiam a paciência: são livros que recompensam quem olha com atenção, num tempo em que quase nada o faz.
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Perguntas frequentes
Quantos livros tem a série Família 14?
No Japão a série tem mais de uma dezena de volumes, publicados ao longo de várias décadas. Em Portugal, a Baduga tem Família 14 e o caminho da montanha — e a intenção é continuar a trazer a série.
É preciso ler pela ordem?
Não. Cada volume é um episódio fechado. A única recomendação é começar pelo primeiro, Família 14, porque é o que apresenta as personagens; a partir daí, a ordem é indiferente.
Quem são os catorze?
O avô, a avó, o pai, a mãe e dez irmãos — dos mais velhos, que já ajudam, aos mais pequenos, que ainda atrapalham. Vivem todos na mesma árvore, e boa parte do encanto está em ver como catorze pessoas se organizam para fazer uma coisa tão simples como o pequeno-almoço.
Serve para crianças que ainda não leem?
Serve especialmente bem. As ilustrações contam a história sozinhas, e uma criança de 3 anos consegue percorrer o livro a apontar sem precisar de uma única palavra. Ler as imagens é ler.
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