
Em poucas palavras: A Família 14 são catorze ratinhos — avós, pais e dez irmãos — a viver numa árvore da floresta. Criada por Kazuo Iwamura em 1983 e publicada em Portugal pela Baduga. Lê-se a partir dos 3 anos em voz alta e até aos 8 ou 9 sozinho. Comece-se pelo volume Família 14, que apresenta as personagens; depois a ordem é indiferente.
Há séries infantis que se compram por um livro e ficam por uma estante inteira. A Família 14 é dessas. Este guia responde às perguntas que os pais mais nos fazem: de que trata, para que idade serve, por onde se começa e porque é que dura tanto tempo em casa.
De que trata a série
Catorze ratinhos vivem juntos numa grande árvore no meio da floresta: o avô, a avó, o pai, a mãe e dez irmãos. Em cada livro acompanha-se um episódio da vida da família — preparar uma refeição, subir a montanha, atravessar uma estação do ano. É tudo.
E é por ser tudo que funciona. Não há vilão, não há perigo, não há reviravolta. O que há é uma casa cheia de gente a organizar-se para fazer uma coisa comum, com a confusão e a entreajuda que isso implica — e uma criança pequena reconhece ali a sua própria casa, em ponto pequeno e com bigodes.
Metade da história está nas ilustrações. Iwamura desenhava em aguarela, com um detalhe que obriga a parar: numa página onde os catorze estão à mesa, cada um está a fazer uma coisa diferente. Ler este livro depressa é lê-lo mal.
Para que idade é
A partir dos 3 anos para ler em voz alta, e até aos 8 ou 9 para lerem sozinhos. Antes disso — aos 2, aos 2 e meio — funciona na mesma como livro de apontar: a criança percorre as páginas à procura do ratinho que já escolheu como seu, e isso é uma forma legítima de leitura.
É uma série que aguenta a relectura durante anos, e essa é a sua melhor qualidade. Aos 3 anos vê-se quem está a fazer o quê; aos 6 lê-se o texto; aos 8 repara-se no que está no fundo da página, na luz, na estação do ano. O livro não muda — muda quem o lê.
Por onde começar

comece-se por aqui: apresenta cada um dos catorze e a casa na árvore.
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Família 14 — as apresentações (3–8 anos)
É o volume de entrada e não deve ser saltado. Aqui percebe-se quem é quem, como está organizada a casa dentro da árvore e qual é o lugar de cada um à mesa. Depois de conhecidos os catorze, todos os outros livros ganham outra graça: deixam de ser ratinhos e passam a ser aqueles ratinhos.
Para conversar depois: “Se vivêssemos numa árvore, onde é que ficava o teu quarto?”
o caminho da montanha — a aventura (3–8 anos)
A família inteira sai de casa e sobe a montanha, com o cansaço, as paragens e a vista lá do alto. É o volume que melhor funciona para famílias que andam a pé: a criança que já subiu uma serra reconhece cada etapa, e a que nunca subiu costuma pedir para ir.
Para conversar depois: “Qual foi a parte mais difícil da subida? E valeu a pena chegar lá acima?”
Porque oferecer a Família 14
Porque é o tipo de livro que sobrevive às modas. Valoriza a família alargada, a natureza e a paciência de observar — três coisas que não saem de moda e que a maior parte do que se publica hoje não oferece. É uma prenda que os avós aprovam e que a criança pede na mesma.
Porque é seguro, no melhor sentido: não tem sustos, não tem gritaria, não tem lição no fim. Serve para ler antes de dormir sem acelerar ninguém, o que não se pode dizer de metade das histórias que andam por aí.
E porque funciona como primeiro livro “a sério” da estante — o que se oferece num aniversário ou no Natal e que ainda lá vai estar quando o irmão mais novo tiver idade para o ouvir.
Perguntas frequentes
Quantos livros tem a Família 14?
No Japão a série tem mais de uma dezena de volumes, publicados desde 1983. Em Portugal, a Baduga tem dois: Família 14 e o caminho da montanha.
É preciso ler pela ordem certa?
Não. Cada livro é um episódio fechado e percebe-se sem os outros. A única recomendação é começar pelo primeiro, que faz as apresentações.
Quem escreveu a Família 14?
Kazuo Iwamura, autor e ilustrador japonês nascido em Tóquio em 1939. Escreveu e desenhou a série a partir de 1983, já depois de se ter mudado para o campo. Morreu em dezembro de 2024. Conheça o autor aqui.
Serve para uma criança que está a aprender a ler?
Serve bem. O texto é curto e concreto, e as imagens dão pistas suficientes para a criança adivinhar as palavras que ainda não descodifica — que é exatamente como se aprende a ler sem sofrimento.
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