
Em poucas palavras: Para um adulto, mudar de casa é uma questão de caixas; para uma criança, é deixar o quarto, a rua e os amigos. Unicórnio da Margarida é o livro por excelência sobre mudar-se e descobrir que a aventura estava à espera; A casa que despertou sobre transformar paredes em lar; Em Frente à minha casa sobre encontrar mundos num só lugar; Ilha sobre um sítio novo que acolhe.
Um adulto muda-se por um motivo: emprego novo, casa maior, renda mais baixa. Tem uma razão e vê o ganho. A criança não escolheu nada disto — só sabe que o quarto vai deixar de existir, que a rua onde brincava vai passar a ser de outra pessoa e que os amigos vão continuar todos juntos sem ela.
Acreditamos que a criança atravessa melhor as grandes mudanças quando lhe damos histórias onde outras crianças as atravessaram antes. O medo divide-se quando se percebe que não é só nosso.
O que a criança perde de facto
Perde referências físicas, e isso pesa mais do que parece. O caminho até à cozinha no escuro, o sítio exacto onde o sol entra de manhã, o degrau que range — nada disso é decorativo: é o mapa que lhe diz que está em segurança. Mudar de casa é ficar sem mapa durante umas semanas.
Perde previsibilidade. Numa casa nova, a criança não sabe quanto tempo demora a chegar à escola, onde estão os copos, quem mora do outro lado da parede. Cada pequena incógnita gasta energia, e o cansaço acumulado sai em forma de birra ou de sono agitado — quase nunca em forma de conversa.
E, muitas vezes, perde o direito de estar triste. Como toda a gente à volta está entusiasmada com a casa nova, a criança percebe depressa que a tristeza dela é inconveniente e guarda-a. É por isso que os livros ajudam: dão-lhe autorização para sentir sem ter de a pedir.
Os nossos livros sobre mudar e recomeçar

a Margarida muda-se para uma pequena casa nas montanhas e descobre que a aventura, e a magia, estavam ali à espera. O livro por excelência sobre mudar de casa.
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sobre como uma casa fria e esquecida pode voltar a encher-se de vida.
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Unicórnio da Margarida — a casa nova tinha uma surpresa (4–9 anos)
A Margarida muda-se para uma pequena casa nas colinas e descobre que a avó tinha razão sobre os unicórnios. É o livro que se dá antes da mudança, não depois: não promete que a casa nova é melhor — mostra que tem coisas que ainda não foram descobertas, o que é uma promessa muito mais fácil de cumprir.
Para conversar depois: “O que é que achas que vamos encontrar na casa nova que aqui não havia?”
A casa que despertou — fazer de umas paredes um lar (4–8 anos)
Uma casa adormecida volta à vida quando alguém chega e cuida dela. É a história certa para os primeiros dias na casa nova, quando tudo cheira a estranho e ainda há caixas por abrir: diz à criança que a casa não vem pronta — faz-se, e ela também tem trabalho nisso.
Para conversar depois: “O que é que podemos fazer hoje para esta casa ficar mais nossa?”
Em Frente à minha casa — o mundo cabe num sítio só (3–8 anos)
Uma viagem por montanhas e cavernas que começa e acaba à porta de casa. Serve para a criança que acha que deixou o mundo interessante para trás: o interessante não estava na casa antiga, estava na maneira de olhar — e essa vem com ela na mudança.
Para conversar depois: “Vamos explorar a rua nova como se fosse uma selva. Por onde começamos?”
Ilha — um lugar novo que acolhe (3–10 anos)
Um pai, uma filha e um cão naufragam numa ilha que os protege e os transforma. É uma leitura serena, boa para as noites dos primeiros dias, quando a criança precisa de ouvir — sem que ninguém lho diga à frente — que um sítio desconhecido também pode ser um sítio seguro.
Para conversar depois: “O que é que já gostas nesta casa nova?”
Antes, durante e depois
Antes: contar cedo, com dias ou semanas de antecedência, e mostrar a casa nova se for possível — nem que seja em fotografias. Envolvê-la no processo: deixá-la escolher o que vai na caixa do quarto dela e escrever o nome na fita.
Durante: despedir-se em condições da casa antiga. Dar uma volta por todas as divisões, dizer adeus em voz alta, tirar uma fotografia ao quarto vazio. Parece pequeno e é o que mais ajuda a fechar o assunto.
Depois: montar o quarto dela primeiro, antes da sala e da cozinha, mesmo que fique tudo o resto por fazer. E recuperar as rotinas — sobretudo a da história ao deitar — logo na primeira noite. É a rotina, mais do que a decoração, que transforma uma casa desconhecida num sítio onde se dorme descansado.
Perguntas frequentes
Como preparar uma criança para uma mudança de casa?
Falando com antecedência, envolvendo-a no processo — deixá-la escolher o que arruma no seu quarto — e despedindo-se em condições da casa antiga. A despedida ajuda a começar de novo.
É normal a criança ficar mais agitada ou triste depois de mudar?
É normal, e costuma passar à medida que o novo espaço se torna familiar. Recriar rotinas depressa ajuda muito.
Devo montar primeiro o quarto dela?
Sim, mesmo que a sala fique em caixas mais uns dias. Uma criança com o quarto montado tem um sítio seu numa casa que ainda não é dela — e dorme muito melhor na primeira noite, que é a que costuma correr pior.
E se a mudança implicar trocar de escola?
Aí são duas perdas ao mesmo tempo — casa e amigos — e vale a pena separá-las na conversa. Manter contacto com os amigos antigos nas primeiras semanas ajuda; combinar uma visita marcada no calendário ajuda ainda mais, porque transforma uma perda numa pausa.
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