Livros para o Carnaval: a festa do faz-de-conta

Um menino de pé num carro sob um céu de constelações
Ilustração de Mark Janssen, do álbum Sonhador.

Em poucas palavras: O Carnaval é a festa do faz-de-conta, e os livros que combinam com ele são os que celebram a imaginação. Em Frente à minha casa transforma um jardim em continente; Unicórnio da Margarida mantém a magia possível; Lea e o Elefante mostra o que custa obrigar o outro a ser o que imaginámos; Sonhador é sobre imaginar quem se vai ser. Ler a história e depois brincá-la — é essa a proposta.

O Carnaval é o único dia do ano em que ser outra pessoa é a coisa mais séria do mundo. A criança que se veste de leão não está a fingir que é um leão: durante aquelas horas, é. E é exactamente essa capacidade — de acreditar a sério naquilo que inventa — que faz dela uma leitora natural.

Na Baduga acreditamos que a imaginação de uma criança é das coisas mais preciosas que existem, e que os livros são o seu melhor combustível. O Carnaval é apenas a desculpa perfeita para o celebrar.

Porque é que o faz-de-conta importa tanto

Porque brincar ao faz-de-conta é ensaiar a vida. Quando a criança finge ser a mãe, o médico ou o monstro, está a experimentar pontos de vista que não são o seu — e é assim, sem que ninguém lho ensine, que aprende a imaginar o que o outro sente. Não há exercício de empatia mais eficaz do que uma tarde de disfarces.

E porque a imaginação é o músculo que a leitura usa. Uma criança habituada a transformar uma cadeira num barco não tem dificuldade nenhuma em transformar palavras numa floresta. O contrário também é verdade: quem lê muito, brinca melhor — tem mais mundos de onde tirar ideias.

Por isso, um livro no Carnaval não é um travão à festa. É gasolina.

Os nossos livros para celebrar a imaginação

Capa do livro Em Frente à minha casa

Em Frente à minha casa

uma viagem por montanhas e cavernas que começa e acaba no jardim, só com a força da imaginação.

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Capa do livro Unicórnio da Margarida

Unicórnio da Margarida

as montanhas onde a magia ainda é possível.

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Capa do livro Lea e o Elefante

Lea e o Elefante

o que acontece quando insistimos que o outro seja aquilo que imaginámos.

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Capa do livro Sonhador

Sonhador

sobre imaginar quem se vai ser.

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Em Frente à minha casa — o mundo começa no jardim (3–8 anos)

A viagem parte da porta de casa e atravessa montanhas, cavernas e oceanos — para voltar, no fim, ao mesmo jardim. É o livro que diz à criança aquilo que ela já suspeita: não é preciso ir longe para ir a lado nenhum, basta olhar de outra maneira. Ilustrado por Marianne Dubuc, com o detalhe que obriga a parar em cada página.

Para conversar depois: “Se o nosso jardim fosse um continente, que nome lhe davas?”

Unicórnio da Margarida — a magia ainda é possível (4–9 anos)

A Margarida muda-se para as colinas e descobre que a avó tinha razão sobre os unicórnios. É uma história sobre acreditar naquilo que os adultos já desistiram de ver — e sobre o que se ganha em manter essa porta aberta. Perfeita para uma criança que ainda escolhe as fantasias com convicção.

Para conversar depois: “Em que é que tu acreditas que os crescidos dizem que não existe?”

Lea e o Elefante — quando o disfarce é imposto (4–8 anos)

Uma casa cheia de coisas bonitas que não fazem ninguém feliz, até chegar um elefante. É o contraponto necessário nesta lista: fala do que custa a alguém ser obrigado a ser aquilo que os outros imaginaram. No dia em que toda a gente se disfarça, é uma boa conversa sobre a diferença entre escolher a máscara e ser obrigado a usá-la.

Para conversar depois: “Já alguma vez quiseste ser uma coisa e te disseram para seres outra?”

Sonhador — imaginar quem se vai ser (3–10 anos)

O Aron sonha acordado e vai descobrindo que sonhar vale tanto como pensar ou fazer. É o disfarce mais ambicioso de todos: vestir a pessoa que ainda não se é. Lê-se bem depois da festa, quando a fantasia já está no cesto e a criança está a adormecer.

Para conversar depois: “Quando fores grande, o que gostavas de conseguir fazer?”

Uma ideia para o dia: ler e depois brincar

A melhor forma de juntar livro e Carnaval é simples: ler a história de manhã e brincá-la à tarde. Escolher uma personagem, montar o disfarce com o que houver em casa — um lençol, uma caixa, um chapéu — e refazer a história do princípio, mudando o fim se apetecer.

Não é preciso comprar nada. Aliás, quanto mais improvisado for o disfarce, mais a criança tem de imaginar para o completar — e é isso que se quer. Uma fantasia comprada resolve tudo; um lençol obriga a inventar.

Perguntas frequentes

Que livros combinam com o Carnaval?

Os que celebram o faz-de-conta e a imaginação — porque é disso que a festa é feita, mais do que de fantasias e confetes. Livros de transformação, de viagens inventadas e de personagens que são outra coisa por dentro.

Como aproveitar o Carnaval para ler?

Ler uma história e depois brincá-la: vestir o que a personagem veste, ser quem ela é. O Carnaval dá licença para isso durante um dia inteiro — e a criança percebe que a história não acaba na última página.

A partir de que idade vale a pena?

A brincadeira do faz-de-conta arranca por volta dos 2 anos e mantém-se forte até aos 7 ou 8. Nesta lista, Em Frente à minha casa e Sonhador funcionam desde os 3; Unicórnio da Margarida e Lea e o Elefante pedem um bocadinho mais de idade.

E se a criança não gostar de se disfarçar?

Há crianças que detestam ser olhadas e não há nada a corrigir nisso. Para essas, o disfarce interessante é o do livro: podem ser o leão dentro da cabeça, sem que ninguém repare. Funciona igualmente bem.

Leia também

ler. sentir. crescer. sonhar.

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