
Em poucas palavras: O regresso às aulas mistura entusiasmo e aperto no peito. Ervilhinho — A grande viagem é para quem se sente pequeno de mais; Sonhador para quem ainda não sabe quem quer ser; Um dois três para fazer amigos novos; Estrela para a comparação que nasce na sala de aula. Retomar as rotinas uns dias antes e ler sobre o assunto sem sermão é o que melhor funciona.
Há sempre duas semanas, no fim do verão, em que a casa muda de humor. Os cadernos novos e os amigos reencontrados de um lado; do outro, o nervoso da mudança de ano, do professor desconhecido, do horário que volta. A criança sente as duas coisas ao mesmo tempo e não tem palavras para nenhuma delas.
Acreditamos que um livro lido nos dias certos vale mais do que muitos conselhos. Uma personagem que sente o mesmo diz à criança, sem sermão, aquilo que um adulto não consegue dizer sem parecer que está a dar uma lição: não estás sozinho nisto.
Porque é que um livro ajuda mais do que uma conversa
Porque não pede resposta. Quando se pergunta a uma criança se está preocupada com a escola, ela costuma dizer que não — ou porque não sabe, ou porque não quer preocupar ninguém. Uma história não interroga: apresenta uma personagem na mesma situação e deixa a criança reconhecer-se ao seu ritmo, sem ter de admitir nada.
Porque dá nome ao que ela sente. “Estou nervoso” é uma frase que uma criança de cinco anos raramente constrói sozinha. Depois de ler sobre alguém que teve medo do primeiro dia, passa a haver uma palavra e um exemplo — e o que tem nome assusta menos.
E porque a leitura é, em si, uma rotina que acalma. Retomar a história da noite uns dias antes das aulas recomeçarem devolve à casa o ritmo que o verão desfez, e faz isso sem confronto nenhum.
Os nossos livros para setembro

o mais pequeno de todos, que enfrenta um mundo grande com criatividade e bom humor.
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para quando a escola começa a comparar toda a gente e a criança ainda não sabe quem quer ser.
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Ervilhinho — A grande viagem — ser pequeno num mundo grande (4–8 anos)
O Ervilhinho é minúsculo e o mundo não foi feito à sua medida: é pequeno de mais para a flauta, para o ginásio, para o pátio. Em vez de desanimar, resolve tudo com imaginação e bom humor. É o livro certo para a criança que chega à escola convencida de que é a mais pequena, a mais lenta ou a menos boa em alguma coisa.
Para conversar depois: “Há alguma coisa na escola em que te sintas pequeno? E o que é que tu fazes melhor do que ninguém?”
Sonhador — ainda não sei o que quero ser (3–10 anos)
A escola começa cedo a perguntar às crianças o que querem ser, e a comparar respostas. O Aron sonha acordado e vai descobrindo que sonhar vale tanto como pensar ou fazer — o que é uma boa defesa contra a pressa dos adultos em arrumar cada criança numa gaveta.
Para conversar depois: “Não faz mal nenhum ainda não saberes. O que é que te apetece experimentar este ano?”
Um dois três — os amigos novos (0–4 anos)
Primeiras palavras, primeiros números e primeiros jogos partilhados. Para os mais pequenos, que entram no infantário ou no primeiro ano de jardim de infância, é o livro que se lê ao colo antes de sair de casa — e que se leva na mochila para os dias em que a manhã corre pior.
Para conversar depois: “Como se chama o menino que estava ao teu lado hoje?”
Estrela — a comparação (4–9 anos)
A sala de aula é o primeiro sítio onde a criança percebe que existe uma régua e que toda a gente está a ser medida por ela. Estrela pega exactamente nessa ferida — a de olhar para o lado e achar que o outro brilha mais — e trata-a com a delicadeza necessária, sem dizer à criança que o que sente é uma tolice.
Para conversar depois: “Toda a gente é boa numa coisa diferente. Em que é que achas que és bom?”
O que fazer nos dias anteriores
Três coisas simples resolvem a maior parte da ansiedade. Recuar a hora de deitar dez minutos por dia, uma semana antes, para o corpo não apanhar o susto todo de uma vez. Ir ver a escola por fora, se for nova, para o edifício deixar de ser uma incógnita. E preparar a mochila com a criança, não por ela — o controlo sobre uma coisa pequena acalma muito.
E depois há o que não se deve fazer: prometer que vai correr tudo bem. Vai haver dias maus, e a criança que ouviu a promessa vai sentir que falhou. É mais útil dizer que vai haver dias bons e dias maus, e que os maus se contam ao jantar.
Perguntas frequentes
Como preparar a criança para o novo ano letivo?
Retomando as rotinas com alguns dias de antecedência e falando do que aí vem sem dramatizar. Um livro sobre o tema ajuda a abrir a conversa sem que pareça um interrogatório.
É normal a criança regredir no regresso às aulas?
É normal haver alguns dias de adaptação, mesmo em crianças que já conhecem a escola — mais choro à porta, sono agitado, pedir colo outra vez. Costuma passar nas primeiras duas semanas.
E se ela disser todos os dias que não quer ir?
Nas primeiras semanas, é frequente e não quer dizer necessariamente que haja um problema. O que ajuda é ouvir sem discutir, manter a rotina firme e perguntar por coisas concretas — o que comeu, com quem brincou — em vez de “gostaste?”. Se passar um mês e a recusa continuar igual ou pior, vale a pena falar com o professor.
Que idade tem cada um destes livros?
Um dois três dos 0 aos 4; Ervilhinho — A grande viagem e Estrela a partir dos 4; Sonhador funciona dos 3 aos 10, com leituras diferentes em cada idade.
Leia também
ler. sentir. crescer. sonhar.
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